Diagnosticar a dependência de celular, independentemente de qual seja a fase do desenvolvimento em que a pessoa se encontra, não é tão fácil, visto que o indivíduo apresenta justificativas aparentemente legítimas para estar sempre on-line, a saber, necessidades relacionadas ao trabalho, aos estudos, às notícias, aos relacionamentos amorosos, ao cuidado com os familiares etc., o que, por vezes, camufla o comportamento dependente. Diante desse fato, o modo mais plausível para o diagnóstico efetivo é comparar o uso compulsivo de internet aos critérios diagnósticos estabelecidos pelos manuais acerca dos transtornos disruptivos (aqueles em que os comportamentos característicos associados são de transgressão de normas, desafiadores e antissociais) do controle do impulso e da conduta.

Nesse sentido, para o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5, 2014), o transtorno do controle do impulso inclui condições que envolvem problemas de autocontrole de emoções e comportamentos que ocorrem, em alguma medida, em indivíduos em desenvolvimento típico. É importante frisar que, para efeito de diagnósticos, devem ser levados em consideração aspectos relacionados à idade, ao gênero e à cultura da pessoa antes de determinar se são sintomáticos de um transtorno. Enquanto que, para a Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamentos da CID-10 (1993), os transtornos de hábitos e impulsos são caracterizados por atos repetidos que não têm nenhuma motivação racional, clara e que, geralmente, prejudicam os interesses do próprio indivíduo e de outras pessoas.

Com base nessas conceituações formais, foram desenvolvidos alguns critérios a serem observados como pertencentes aos padrões comportamentais dos indivíduos para o indicativo de diagnóstico de dependência de internet, os quais incluem:

1) preocupação excessiva com a internet;

2) necessidade de aumentar o tempo que de conexão (on-line) para ter a mesma satisfação;

3) exibição de esforços repetidos para diminuir o tempo de uso da internet;

4)  presença de irritabilidade e/ou depressão;

5) quando o uso de internet é restringido, apresenta labilidade emocional (internet como forma de regulação emocional);

6) permanência de mais tempo em conexão (on-line) do que o programado;

7) trabalho e relações sociais em risco pelo uso excessivo;

8) omissão ou mentira para as outras pessoas a respeito da quantidade de horas reais em que esteve on-line. A isso está associada a presença marcante da ansiedade, fissura, agitação psicomotora e dos danos visíveis ao bem-estar físico, psicológico e social.

Outro fator a ser observado é a presença da “nomofobia”, que se trata do termo mais utilizado para designar o desconforto ou angústia causados pelo medo de ficar incomunicável ou, até mesmo, pela impossibilidade de comunicação por intermédio do telefone celular, computador ou internet (fobia diante da possibilidade de ficar off-line).

Dentro desse contexto, um aspecto que se sobressai é a dependência psicológica. Nesta, estão inclusos: o desejo irresistível de usar a rede; a incapacidade de controle do uso; irritação quando não se está conectado e o estado de euforia assim que se consegue o acesso. O indivíduo tem uma obsessão pela vida virtual, a ponto de ignorar, quase que totalmente, os aspectos relevantes da vida presencial: o sono, a alimentação e os relacionamentos presenciais.

Aspectos da Dependência de celular

Dezenas de estudos, realizados em 31 países, demonstram que a dependência de internet é um fenômeno global, com prevalência em torno de 6%, e que pode estar associado a comorbidades, como: transtorno de déficit de atenção ou hiperatividade, transtorno depressivo e ansiedade social.

Na internet, além de muitas informações, são encontrados meios de    entretenimento (Pirocca, 2012), razão da grande utilização para fins que não sejam apenas estudo ou trabalho. Entretanto, vale ressaltar que tem aqueles idosos que ainda preferem obter informações e entretenimento por meios alheios à internet.

Uma pesquisa realizada por Piconetal (2015), no contexto clínico, concluiu   que as principais dependências por tecnologia, desencadeadas em pacientes que recorreram ao tratamento psicoterápico foram as provenientes da utilização de: jogos eletrônicos, redes sociais, pornografia on-line e smartphones. As redes sociais são o desdobramento da dependência de internet mais citado pelos pacientes, que, direta ou indiretamente, pode estar associado ou relacionado às outras formas de dependências.

As redes sociais

As redes sociais são as mais acessadas por vários fatores, sendo que o principal deles deve-se ao modo do seu funcionamento, ou seja, diversos mecanismos são utilizados para a estimulação do constante retorno a elas,  a saber, notificações de atualizações nas contas dos contatos, diversas opções de interações (curtir, comentar, compartilhar e trocar mensagens instantâneas). Trata-se de uma estratégia de marketing embutido, com o intuito de agregar mais usuários às redes, considerados potenciais  consumidores de  produtos e serviços. Nesse sentido, destacam-se o Instagram, o Facebook e o Twitter.  Esses tipos de redes sociais fazem com que o usuário queira saber quantas curtidas e/ou comentários suas postagens receberam, fazendo com que os indivíduos queiram conferir, constantemente, o que está ocorrendo em seus perfis virtuais.

Receber diversas curtidas no Facebook age diretamente no cérebro via circuito de recompensa, gerando picos de bem-estar e satisfação comparáveis a outros conhecidos desencadeadores de prazer, como, por exemplo: se alimentar, fazer sexo e, até mesmo, usar drogas. Na maioria das vezes, esses desencadeadores já conhecidos estão ausentes na vida cotidiana de alguns idosos.  E, nesse sentido, tais sensações tornam-se melhores que a indiferença recebida de algumas pessoas que os cercam, por vezes, as únicas, devido à ausência de companhias reais prazerosas. Contudo, percebe-se, também, o inverso, ou seja, o fato de não receber o quantitativo de curtidas ou obter a repercussão esperada, leva o sujeito a sentir um vazio intenso, que pode ser semelhante ao do dependente de jogo, por exemplo, quando percebe que sua dependência o   levou a sérios danos financeiros, despertando, em si, a fissura por voltar a jogar, na tentativa de recuperar tais danos.

Oque é dependência tecnológica

https://www.youtube.com/watch?v=OqN71i7th6A

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